Hérnia de Disco em Cães: 9 Perguntas e Respostas

Hérnia de Disco em Cães: 9 Perguntas e Respostas

Hérnia de disco em cães? Sim, eles também podem ter! Também conhecida como doença do disco intervertebral, a hérnia de disco é a principal causa de compressão medular e consequentes disfunções neurológicas observada em cães, afetando a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida dos nossos bichinhos.

Você quer entender mais sobre a doença? Então, vem com a gente e dá uma olhadinha nesse post que preparamos com 9 perguntas e respostas sobre hérnia de disco em cães para você esclarecer as suas dúvidas!

1. Como é a anatomia da coluna vertebral dos cães?

Para entendermos mais sobre a hérnia de disco em cães, precisamos falar brevemente sobre anatomia! A coluna vertebral dos cães é formada por vértebras e cada vértebra apresenta um corpo, um arco e alguns processos ósseos. Entre os corpos das vértebras, existem os espaços intervertebrais, onde estão localizados os discos intervertebrais. Já os arcos das vértebras formam, na sua totalidade, o canal vertebral, o qual envolve a medula espinhal, de onde saem os nervos para o corpo.

Os discos intervertebrais são formados pelo núcleo pulposo, uma área central gelatinosa de formato ovóide e pelo anel fibroso, um envoltório com várias camadas de fibrocartilagem ao redor do núcleo pulposo. A função dos discos intervertebrais é absorver choques mecânicos e dissipar forças, diminuindo o impacto na coluna vertebral.

Hérnia de Disco em Cães: Anatomia da Vértebra

2. O que causa a hérnia de disco em cães?

A causa da hérnia de disco em cães está relacionada com alterações na estrutura e na composição do disco intervertebral. Essas alterações ocasionam a degeneração do disco intervertebral e a redução dos mecanismos de absorção de choques por ele. Algumas raças, como as raças condrodistróficas, apresentam uma predisposição genética para o desenvolvimento da hérnia de disco, como veremos a seguir.

3. Quais são os tipos de hérnia de disco em cães?

A degeneração do disco intervertebral pode ocorrer por meio de duas formas: por metaplasia condróide ou por metaplasia fibróide. Na metaplasia condróide ocorre a substituição do núcleo pulposo por cartilagem hialina enquanto na metaplasia fibróide ocorre a substituição do núcleo pulposo por tecido fibrocartilaginoso.

Dessa forma, a hérnia de disco em cães é classificada em Hansen tipo I e Hansen tipo II.

3.1 Hérnia de disco Hansen tipo I

Na hérnia de disco Hansen tipo I, ocorre metaplasia condróide do disco intervertebral: o núcleo pulposo é substituído por cartilagem hialina, enfraquecendo o anel fibroso, que tem todas as suas camadas rompidas. Assim, o núcleo pulposo sai pelo anel fibroso e invade o canal vertebral, comprimindo a medula espinhal.

Esse processo é chamado de extrusão discal, ocorre de forma maciça e aguda, é mais comum nas raças condrodistróficas e nas raças de pequeno porte (cocker, poodle, chihuahua) e acomete animais mais jovens.

3.2 Hérnia de disco Hansen tipo II

Na hérnia de disco Hansen tipo II, ocorre metaplasia fibróide do disco intervertebral: o núcleo pulposo é substituído por tecido fibrocartilaginoso, enfraquecendo o anel fibroso, que tem parte das suas camadas rompidas. Assim, o núcleo pulposo se movimenta e desloca o anel fibroso em direção ao canal vertebral, comprimindo a medula espinhal.

Esse processo é chamado de protrusão discal, ocorre de forma crônica e lenta, é mais comum nas raças não-condrodistróficas e nas raças de grande porte (pastor alemão, labrador, dobermann) e acomete animais mais velhos.

Hérnia de Disco em Cães: Hansen tipo I e Hansen tipo II

3.3 Hérnia de disco Hansen tipo III

Ainda, existe a hérnia de disco Hansen tipo III, em que ocorre uma extrusão em alta velocidade e não-compressiva do núcleo pulposo, sem haver um processo de degeneração prévio do disco intervertebral. Embora não ocorra compressão da medula espinhal, a hérnia de disco Hansen tipo III causa lesões severas na medula espinhal, pois a velocidade da extrusão é o principal fator que determina a intensidade da lesão medular. Nesse caso, a lesão na medula espinhal é decorrente da reação inflamatória, redução da perfusão sanguínea e necrose.

4. Por que os cães das raças condrodistróficas têm maior predisposição genética à hérnia de disco?

Mas primeiro, o que e quem são as raças condrodistróficas? A condrodistrofia é uma condição que restringe o crescimento, visto que afeta o desenvolvimento das cartilagens dos ossos longos dos membros, resultando em patinhas curtas. Alguns exemplos de raças condrodistróficas são o dachshund, o beagle, o basset hound, o buldogue francês, o pequinês, o shih tzu, o lhasa apso e o welsh corgi.

Hérnia de Disco em Cães: Raças Condrodistróficas com Maior Predisposição Genética

São dois fatores que fazem os cães das raças condrodistróficas ter maior predisposição genética à hérnia de disco.

O primeiro fator é que os cães dessas raças apresentam um padrão de envelhecimento do disco intervertebral diferente das outras raças, de forma que a perda da estrutura gelatinosa do núcleo pulposo é mais precoce. Desse modo, a degeneração do disco intervertebral ocorre mais cedo, o qual fica com a sua função de absorver choques prejudicada.

O segundo fator é que os cães dessas raças apresentam a composição do disco intervertebral diferente, na qual os componentes da matriz do disco intervertebral estão em menor quantidade do que nas outras raças. Isso implica em uma absorção de choques deficiente, pois a eficiência mecânica dos discos intervertebrais depende da qualidade e da quantidade dos componentes da matriz.

Assim, devido ao envelhecimento precoce do disco intervertebral e à composição da matriz do disco intervertebral em menor quantidade, os discos intervertebrais de cães das raças condrodistróficas têm menor capacidade de absorver choques, sendo mais suscetíveis à formação da hérnia de disco.

Quais são os sinais clínicos da hérnia de disco em cães?

Os tipos e a intensidade dos sinais clínicos da hérnia de disco em cães dependem de vários fatores, como a localização da hérnia de disco, o tipo de hérnia de disco, a quantidade de material herniado, a velocidade e a duração da compressão medular e o envolvimento dos nervos espinhais.

De acordo com a localização da hérnia de disco ao longo da coluna vertebral, a doença do disco intervertebral é classificada em cervical, toracolombar e lombossacral. A região mais frequentemente acometida é a região toracolombar, seguida da região cervical.

Os sinais clínicos da hérnia de disco cervical incluem:

  • Dor
  • Postura de cabeça baixa e dorso arqueado
  • Pescoço rígido
  • Relutância em movimentar a cabeça e o pescoço
  • Incoordenação para andar, perda parcial (paresia) ou total (plegia) do movimentos voluntários nos 4 membros (arrasta os membros para andar ou pára de andar)

Os sinais clínicos da hérnia de disco toracolombar incluem:

  • Dor
  • Postura de dorso arqueado e andar rígido
  • Incoordenação para andar, perda parcial (paresia) ou total (plegia) do movimentos voluntários nos membros pélvicos (arrasta os membros para andar ou pára de andar)
  • Incontinência urinária

Os sinais clínicos da hérnia de disco lombossacral incluem:

  • Dor
  • Incoordenação para andar, perda parcial (paresia) ou total (plegia) do movimentos voluntários nos membros pélvicos (arrasta os membros para andar ou pára de andar)
  • Incontinência urinária e/ou fecal

6. Como é feito o diagnóstico da hérnia de disco em cães?

O diagnóstico da hérnia de disco em cães é realizado pelo médico veterinário por meio do exame clínico e do exame neurológico do paciente, o qual ajuda a estimar a localização e a extensão da lesão. Porém, para confirmar a localização e a extensão da lesão, são necessários exames complementares de imagem, como radiografia simples, radiografia contrastada (mielografia), tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Atualmente, a mielografia é o método mais utilizado para diagnosticar hérnia de disco em cães, devido à sua maior disponibilidade na rotina veterinária e ao seu custo mais acessível. O exame é realizado por meio de uma radiografia do paciente após uma injeção de um agente de contraste no canal medular, o que permite delinear a medula espinhal e identificar o local da compressão medular, visto que ali ocorre atenuação do fluxo de contraste.

A radiografia simples pode ser útil, porém só permite identificar lesões que envolvam diretamente as vértebras, não sendo possível visualizar a medula espinhal. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética são as melhores opções, pois permitem identificar alterações mais sutis, mas infelizmente não estão facilmente disponíveis na rotina veterinária e o seu custo é alto.

7. Como é feito o tratamento da hérnia de disco em cães?

O tratamento da hérnia de disco em cães pode ser clínico ou cirúrgico. E como é feita a escolha pelo médico veterinário? Bom, ele irá avaliar o histórico e os sinais clínicos do paciente para eleger o tratamento mais adequado.

7.1 Tratamento clínico

O tratamento clínico, também chamado de tratamento conservador, é indicado para cães que sofrem um episódio inicial de dor ou de disfunção neurológica, como incoordenação para andar ou perda parcial dos movimentos voluntários (arrasta os membros), ou para cães que apresentam outros problemas clínicos que inviabilizam a cirurgia.

O tratamento clínico é realizado pelo confinamento estrito do paciente em gaiola por 3 a 4 semanas, associado ou não à medicação anti-inflamatória e analgésica. O repouso forçado é necessário porque ele permite uma resolução da inflamação e facilita a estabilização do disco intervertebral.

Durante esse período, o paciente deve ser retirado da gaiola duas vezes por dia para a realização de exercício brando na coleira peitoral e para o esvaziamento da bexiga e do intestino. Para pacientes que perderam a capacidade de realizar movimentos voluntários, é necessário realizar a compressão da bexiga de 3 a 4 vezes por dia para evitar infecção urinária, administração de laxantes e fisioterapia para manter a massa muscular e a extensão dos movimentos articulares.

A maior parte dos cães tratados clinicamente apresenta melhora dos sinais clínicos, porém o reaparecimento dos sinais clínicos é comum. Nesse caso ou em caso de piora dos sinais clínicos, o paciente deverá ser reavaliado para a intervenção cirúrgica.

7.2 Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é indicado para casos que não responderam ao tratamento clínico, para casos de reaparecimento dos sinais clínicos ou para casos de perda parcial ou total dos movimentos voluntários.

O tratamento cirúrgico tem como objetivo descomprimir a medula espinhal pela remoção da hérnia de disco, o que pode promover o alívio da dor e a restauração da função motora. Existem diferentes técnicas cirúrgicas e a escolha é determinada pela localização da hérnia de disco na medula espinhal.

Na maioria dos casos, o tratamento cirúrgico é eficaz. O alívio da dor ocorre entre 24 a 48 horas do pós-operatório e a recuperação da função motora depende da apresentação clínica do paciente, variando de 7-10 dias a 6-8 semanas.

A cirurgia descompressiva deve ser realizada o quanto antes, pois quanto mais cedo for feita a cirurgia, maiores são as chances do paciente recuperar a função motora. Por isso, infelizmente, em situações graves, a hérnia de disco causa lesões irreversíveis na medula espinhal, não sendo possível recuperar a função motora mesmo com a cirurgia, e o cãozinho pode ficar paraplégico.

8. Como prevenir a hérnia de disco em cães?

Sim, existem algumas medidas que você pode tomar para evitar que o seu cãozinho tenha hérnia de disco!

  • Controle o peso do seu cão e evite a obesidade, fornecendo uma dieta saudável e balanceada e estimulando a prática de exercícios.
  • Evite exercícios e movimentos bruscos, como subir e descer escadas e pular da cama e do sofá.
  • Adapte rampas ou escadas para pets na cama e no sofá.
  • Prefira sempre a coleira peitoral, pois a coleira cervical pode forçar a região do pescoço.
  • Utilize reguladores de altura para os potes de água e de comida, pois para alguns cães, os potes no chão também podem forçar a região do pescoço.

9. Quais são os cuidados que se deve ter com cães paraplégicos?

Ter um cãozinho paraplégico em casa não é uma tarefa fácil, mas é gratificante! Esses cãezinhos precisam de cuidados especiais para o resto da vida, como:

  • Troca de posição ao longo do dia para evitar úlceras na pele
  • Compressão da bexiga de 3 a 4 vezes por dia para evitar infecção urinária
  • Administração de laxantes para o esvaziamento intestinal
  • Fisioterapia ou hidroterapia para manter a massa muscular e a extensão dos movimentos articulares
  • Cadeirinha de rodas para ajudar na locomoção
  • Revisões periódicas pelo médico veterinário
  • Uso mais frequente de antibióticos e anti-inflamatórios

Porém, apesar desses cuidados especiais, o amor que eles nos dão em troca faz tudo valer a pena.

Hérnia de Disco em Cães: Cadeira de Rodas para Cãezinhos

Com essas 9 perguntas e respostas sobre hérnia de disco em cães, agora você já sabe como é a anatomia da coluna vertebral dos cães, a causa e os tipos de hérnia de disco, os sinais clínicos que a doença provoca, como é feito o diagnóstico, o tratamento e a prevenção e quais são os cuidados especiais com cãezinhos paraplégicos. 🙂

Importante: se o seu cãozinho apresentar algum desses sinais clínicos, leve-o imediatamente para o médico veterinário de sua confiança, pois o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento!